07 abril 2006

CHAMAME (seudonovela delirante en portuñol con guaranises). Quinta entrega.

*

Cheguei a los Buenos Aires em uno tren branco chamado Grão Capitão, que me levantou em Paso de los Libres City e depois de mais ou menos tres días de viaje chegou a la Estacião Federico Lacroze. Au baijar du tren e salir da estacião me encontrei com que los Buenos Aires era uno verdadeiro añaretá añarekó, como ya havíam me falado; mas te conto que pra mim resultou uno añaretá añarekó muito bonitu demais: uma ciudade que funcionava como uno sistema de eletro-choques, desde lo primeiro momento le metiendo bomba e bomba a minha emocião.

Lo primeiro arrebato me aconteceu nei bien salí da Estacião Lacroze e quise atravesar la avenida du mesmo nombre. Iba pela metade da calle cuando lo semáforo ficou verde de uno repente, e los coletivos, carros e motocas empezarom a pasar ¡FIUMMM! ¡FIUMMM! pracá e pralá. Eu fiquei alí mesmo, no medio da avenida añarekó, parado unos diez minutos, com lo corazão na bouca, eufórico de emocião entre todos eses veículos que facian uno gostoso vientito: yvytu-í musical me acarinhando la alma du corpo. ¡QUE FELICIDADE! estar nu medio de uma avenida dus Buenos Aires, com minha cordiona de seis fileiras numa mano e uma bolsa com chipá e laranjas na outra, ouvindo iso que soava como uma orquesta com rodas: presto, súbito, acelerando, prestísimo, a toda máquina... Uma verdadeira arremetida de música que durou apenas unos diez minutos mas que podía haverme levado a la gloria se não fuose por lo policía que vino e me tocou lo pito: prrrrr, prrrrrrrrrr me fizo, e ¡PUTAQUEOPARÍU! me vi obligado a atravesar la avenida faciendo fuerza pra la música não se escapar de minha zabeca.

Na vereda me puse a observar atenciosamente lo añaretá añarekó dus Buenos Aires. Então me percatei da belezura da ciudade: cien mil angelinhas Lucyfer poraité demais saltando pra todos lados, saliendo de cada buraco, de cada piedra, de cada canto saliendo. ¡AIAIAI! tanta lindura toda junta me deu uno mareo: fiquei desorientado e comencei a virar e virar como uno trompo gordo na vereda infernal: meus ojos prontos pra arreventar, feitos dois globos chenos de angelinhas Lucyfer.

Foi uno estado de trance lo que me atacou na vereda enfrente da estacião Lacroze. Enseguida, nu medio da inspiracião, ouví uma voz melodiosa que me fizo uma revelacião que cambiaría minha vida pra sempre. Parecía venir das moradas de noso verdadeiro pai Ñamandú la purahei porá voz que me dijo: Yvymarae´ÿ ko´ápe los Buenos Aires, ñande tekohá onde la cumbia e lo chamamé crecen como lo avatí e las angelinhas são imortales.

¡ÓHQUETE! Bonito me estremeceu la voz. Tão muito tanto que ahí nomais decidí ficar a vivir nus Buenos Aires, pra le meter rosca a lo chamamé e acarinhar las angelinhas Lucyfer poraité demais como se tocase em semifusas minha cordiona de seis fileiras:

taratatá
perepepé
piripipí
tiritití
turundumdúm
dum dúm
charráu

Cuando conseguí me equilibrar me acerquei a uma angelinha Lucyfer procurando me orientar. Acomodei la voz a lo Pavaroti, empujando lo aire du estómago pra la zabeca, e le perguntei onde ficaba la cancha de Boca Juniors, lo clube azul e ouro dus meus amores. La angelinha me mirou como si eu fose uno marciano e acelerou lo paso. Parei mais umas diez angelinhas, mas todas facían cara de surpresa, como se eu ouviese salido du Discovery Channel. Meu último intento foi dirigido pra uma monjinha poraité demais que pasou moviendo lo uquelele: sucundún-sucundún, duma forma que me pareceu uma invitacião pra facer flékiti-flékiti (2), e que me fizo correr trás ela emocionado. Cuando la alcancei me virei pra seus faroles e me persignei tres vezes antes de le perguntar onde ficava la Bomboneira. La hermanita saliu corriendo e gritando socorro. Eu me fice humo: fumasa: tatatî entre todo lo gentío, sem entender por qué las angelinhas Lucyfer me miravam como si eu fuose uno bicho. Finalmente, cansado de impostar la voz, decidí perguntar diretamente pra uno viejo que vendía panchos na esquina duma pizzería. Lo viejo me explicou cinco formas distintas de chegar a la Bomboneira. Eu escogí meterme nu buraco negro que te leva pra los fundos fondos subterraneos dus Buenos Aires.

Nas tripas da ciudade luz entrei a uno trencinho fantasma que em pouco tempo ficou hasta lo techo de gente. Las portas se fecharom e la máquina comenzou a andar traca-traca-traca-traca. Lo gentío iba muito serio, como si ouviese ocurrido uma tragédia e todos fosem pra uno velório. Mas te conto que a mí, lo que é a mí, la felicidade me salía pelas orejas. ¡QUE SENSACIÃO! andar num trem fantasma, dentro das tripas dum monstro gigante que regurgitava como se fose uma máquina gigante de comer gentes, faziendo uma música mecánica maravilhosa: traca-traca-traca, pssssssfffffffff, ayyy, traca-traca, uyyyyy, traca, pssssssffffffff, traca-traca, hijoeputa, traca, pssssssffffff, traca-traca, traca, pssssssffffffff, próximaestación, traca-traca, CarlosGardel, traca, pssssfffffff...

Eu iba com los ojos fechados, sentindo la música de fierros e gritos, cuando de repente ouví uno turututú cuasi tão dulce y alegre como lo chamamé ¡mas não tanto! que me invadiu lo corazão. Cuando abrí los ojos vi uno tipo de antiojo escuro soplando uma zamponha e danzando pracá e pralá. ¡AIAIAI! Aí sí que muitu me gostou la coisa, porque iso era como viajar num trem fantasma pelas tripas dus Buenos Aires com música funcional em vivo. Cuando percebí que la gente le daba monedinhas me dei conta de que lo tipo era ciego e sentí lástima. Eu, que não tenía monedas, le puse em la mano uno chipá com forma de pescadito que minha abuela havía me preparado pra lo viaje. Lo tipo me dijo que ele quería dinheiro e não chipá com forma de pescadito, e então me dei conta de que era uno ciego gua´ú que vía muito bien cuando não le convenía. Alí nomais, sem perder nei uno segundo, le dije que eu também quería ser músico ciego e le mostré minha cordiona de seis fileiras. Lo tipo me fizo uma sinal com la zabeca pra baijar na seguiente estacião.

Nunca, nem agora que estou morto vou me olvidar que foi na estacião Callao que lo tipo me deu outro antiojo escuro que sacou du seu bolso e me dijo: eu sou lo Cholo de Trujillo, poeta del azar y músico dodecafónico-concreto-experimental, minha única família é meu burro e ser ciego minha profisião. Eu respondi: Sinforiano Ortiz, correntino chamameceiro de nacimento e de corazão, romanticón, folclórico y cursi, pero corajudo. Minha cordiona de seis fileiras toca hasta lo que eu não sei tocar.

E así foi que comenzou minha sociedade com lo Cholo, lo peruano mais desorbitado que eu ya ví sobre la fase da terra, que se vino a pie desde Trujillo, sólo solito com sua zamponha, seu burro, sua bolsinha de poemas e mais nada. E alí ficou firmado e sellado apenas lo início, lo ta´ÿi tenonde de la revolución mayor du chamamé, hoye em día lo tecno-chamamé, que ya é furor nas discoteques, nas radios, na tevé, nus satélites mundiais du mundu todo, e que hoye lo mundu todo baila como si estiviese posuído pelu mesmísimo demonio: añá. ¡AÑARETÃMEGUÁ, CARAJO!


(2) Em mail-í reciente, lo poeta paraguayo Jorge Kanese (o Canese) me propone abonar com merda galáctika uma po´ëtika de 3 fronteiras: “Muerte-Lokura-Flékitiflékiti”. (sic)

Añaretá: infierno
Añarekó: endemoniado
Yvytu: viento
-Í: sufijo diminutivo guaraní
Yvytu-í: vientito
Poraité: hermoso
Purahei: música
Porá: lindo
Yvymarae´ÿ: para los guaraníes, la prodigiosa Tierra sin Mal donde el maíz crece solo y los hombres son inmortales
Ko´ápe: aquí
Ñande: nuestro
Tekoha: ecosistema natural dónde se desenvuelve el
teko, o modo de ser del guaraní
Avatí: maíz
Tatatî: humo
Gua´u: falso
Ta´ÿi: semilla, esperma
Tenonde: primero
Añá: diablo
Añaretãmeguá: infernal
Mail-í: mailcito

7 Comments:

At 8:53 p. m., Blogger KuruPicho said...

Bom ese Buenos Aires enrarecido añarekoite!! pero muito malagradecido el poeta trujillano al rechazar una de esas chipás en forma de pescadito, hoy encontrables solo en fiestas patronales con music cachaca-chamamé, creo que se merecía una chipa gua'au en forma de consolador mas bien para el cholito ese. ¿O que e o flekiti kanesiano? Linda la foto de la Jeanne de espaldas a santa terezinha caminado hacia el origen de la musica...lindo mesmo , che duki lunática warrior!!!

 
At 10:14 p. m., Blogger Noctiluca said...

Lunita Marcelo,

Que lindo !! hablás de aquí, veo todo como una película. Y sos vos tan vos !!! Te felicito mucho, estas haciendo el viaje mas maravilloso, el viaje de ti hacia ti. Y te presentas asi..."Sinforiano Ortiz, correntino chamameceiro de nacimento e de corazão, romanticón, folclórico y cursi, pero corajudo. Minha cordiona de seis fileiras toca hasta lo que eu não sei tocar."
Te quiero mucho !!!!!!!!
un beso,
Clara

P.D. le debo un email a Kurupicho

 
At 6:47 p. m., Blogger KuruPicho said...

Noctiluca, te cuento que caeremos por Baires, si todos los dioses neoliticos chamaceros nos protegen, en mayo (19-21)con la Warrior lunatica.

 
At 11:13 a. m., Blogger Luna Guerra said...

1) Kurupí!!! cuando lo kanese nos propuso M-L-Ff eu entendí que se refería a lo chiqui-chiqui desas viejas camas de elástico ou daqueles colchões con resortes, ou a cualquer barulho feito por dois corpos em la horizontal.
2) Obrigado Noctiluquita, te mando un beijo romantikón e cursi.
Viva el chamamé!!!!!!!
Mun guarrior exaltada

 
At 7:26 p. m., Blogger Dama Satán said...

Flékiti-flékiti, concierto que a la noche se apresta pianissimo a adentrarse en el molto vivace de la madrugada, flékiti-flékiti, música vieja que sonaste ya en el primer día de la creación, compañera del primer hombre triste y solitario que encontró a su primera, triste y solitaria mujer en el inicio de la larga aventura de los hombres y las mujeres tristes, flékiti-flékiti, ya te entonaban como su himno los goliardos y también los errantes caballeros te cantaban para darse valor en el campo de batalla (y) en el lecho, oh vieja y grave melodía que suena desde la cuna hasta la tumba.

 
At 2:59 p. m., Anonymous Anónimo said...

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