21 mayo 2006

CHAMAME (novela delirante en portuñol con guaranises). Novena entrega.

¡AHHHH! Me sube uma nostalgia pior que la tristeza cuando recordo aqueles días sem noites com meus colegas du Hotel Fantástico: lo Cholo, que se vino a pie desde Trujillo, sólo solito com sua zamponha, seu burro, sua bolsinha de poemas e mais nada; lo DJ Cachacón, que se vino de Asuncião com uma valija de CD´s truchos, decidido a triunfar nas discoteques portenhas; lo Zezão Pezão, que chegou da Paraíba com los botines nu ombro pra provar sorte no futebol e terminou tocando lo bongó e la tambora nu meu conjunto de chamamé tropical Los Chakembói. Depois estavan la Marta e suas gurisas, Lucy: la travesti boxeadora, e lo Bolita, que nei bien chegou de La paz se puso uno quiosquito dentro du hotel, onde vendía desde merca hasta curitas e inyeciones, quiniela, pan caseiro, salamines e libros de poesía.

Agora que estou mais morto que dios e lo único modo que tengo de voltar a la terraza du Fantástico é com lo recuerdo, me ataca uno sofrimento macho. Me entram unos deseos violentitísimos de tomar la máquina du tempo e voltar pra trás. Com muitísimo gosto pondría la tembiasakué culo pra cima e saldría echando putas, le gritando a la morte ¡CHAU CHÉ! ¡HASTA JAMÁIS DE LOS JAMASES! ¡PODRIDAZA!

Si eu pudese facer iso, te aseguro que hoje estaría muitu vivinho, escrevendo uma outra estória e não ésta que comenza nu momento em que me morro desa morte absurda e cursi da que uno sólo pode se morir nas mais piores novelas.

Nesta horizontalidade da maldita morte se me terminou lo agora e lo despois. Ya não tengo nei siquiera la desesperacião da espera. Nada. Ko´êro: apenas uno desejo au que estou condenado pra la eternidade. Ko árape: uma imovilidade estatelada onde nada mais acontece, nada mais pulsa. Nei lo pereré du corazão, nei lo tyrytytý du chamamé. Nada. Nei nada.

Solamente tengo lo recordo. Ñe´é morta. Virando em minha zabeca. Em círculos. Sin parar. Ñe´é morta. Dando voltas. Memória. Sin ko. Ñe´é morta. Sin ko´ê. Sin ko´êro. Sin ko´êmbuéramo. Ñe´é morta du recuerdo. Kuehé. Kuehé ambué. Tembiasakué. Ñe´é morta. Virando en círculos. Tumbýky-tumbýky. Sin parar. Ñe´é morta. ¡AÑAREKOPEGUARÉ!

Estou nu lugar sin lugar desta morte absurda que me quebrou la esqueletumbre: ¡CRAK! Muerto: morto: angué: com lo futuru kuruvikado: amarrado a la ñe´é du recuerdo. É deste aquí sin onde que te conto lo karakú da novela de mia vida. Perifoneo em meu idioma abstruso, com uma gramatica-í sin futuro, pra não faltar a la verdade. Te juro. Preciso te contar tin-tin por tin-tin la tembiasakué de mia asencião e declinio, sin errar nei uno centrímetro na memória, pra así contarte lo derrotero da música mais desenfrenada e triste du mundo todo: lo chamamé.

Não poso escrever la novela du futuru que gostaria. Algo num lenguaje críptico que eu ouviese criado pra lo bicho humano falar com los marcianos cuando conquistase lo planeta bermejo. Também não poso te contar la belezura da gurisa que nunca conocí, mas que eu pensaba que seguramente um día conocería. E lo mais pior, nei poso pensar, ya não digo facer tyky-tyky com mia cordiona de seis fileiras, nei siquiera pensar poso nu chamamé cyberespacial du futuro: esa música desenfrenada que nadie nunca imaginou nei imaginará, mas que eu sabía que un día inventaría pra arreventar las zabecas du mundu todo.

Opama katú la fiesta. Nestas profundezas da morte ya não poso criar novas formas de cha-ma-me-ce-ar. De suerte poso ouvir dentro da minha zabeca, sonando na radio du recuerdo, lo chamamé-tropical, lo tecno-chamamé: mias propias creaturas: lo chamamekué: mostritinho que hoye é furor nas discoteques, nas radios, na tevé, nus satélites mundiais du mundu todo, e que hoye lo mundu todo baila como si estiviese posuído pelu mesmísimo demónio: añá. ¡AÑARETÃMEGUÁ, CARAJO!


Chakemboi: cuidado la víbora
Tembiasakué: historia
Ko´êro: mañana
Ko árape: hoy
Pereré: latido
Ñe´é: palabra, alma, lengua
Ko: andar, vivir, estar
Ko´ê: amanecer
Ko´êro: mañana
Ko´êmbuéramo: pasado mañana
Kuehe: ayer
Kuehe ambué: antes de ayer
Tumbýky: trastumbo
Añarekopeguaré: concha del diablo
Angué: alma de muerto
Kuruvikado: hecho añicos
Gramatica-í: gramatiquita
Opama katú: pues se acabó
Chamamekué: antiguo chamamé
Aña: diablo
Añaretãmeguá: infernal

4 Comments:

At 10:42 p. m., Blogger MaleNa said...

Ya estoy agarrando mi viola, para hacerla sonar de nuevo, con esta letra.

Siempre me voy de tu casa con una sensación nueva.

Beijos.

 
At 10:39 a. m., Blogger Silvakov said...

me sucede lo mesmo com teu blogui malena!!!!!

beijos

 
At 6:51 p. m., Blogger Dama Satán said...

Chamameceiro, ke onda la vuelta por Minga Guazú, tudu nice pra xuxu, y el kanesu seducido por los proyectosa duglasianos?saludos y espera ya te llegara el wedding present...

 
At 10:12 a. m., Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work » »

 

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